Com o salário mínimo fixado em R$ 1.621,00 em 2026, a pergunta que não quer calar no bolso do trabalhador brasileiro é: quanto desse valor realmente sobra após a compra dos alimentos essenciais? A resposta, infelizmente, revela o aperto no orçamento familiar.
Dados recentes do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), referentes a abril de 2026, mostram que o custo da cesta básica subiu em todas as 27 capitais do país, abocanhando uma fatia gigantesca da renda do trabalhador.
Para entender o real impacto, precisamos olhar para o salário mínimo líquido. Descontando a contribuição previdenciária (INSS) de 7,5%, o trabalhador leva para casa cerca de R$ 1.499,42. É a partir desse valor que a mágica da sobrevivência acontece.
O peso no topo: as capitais mais caras
São Paulo segue liderando o amargo ranking da cesta básica mais cara do Brasil. Na capital paulista, o conjunto de alimentos básicos bateu a marca de R$ 915,30. Isso significa que um trabalhador paulistano que ganha o piso nacional compromete mais de 61% de sua renda líquida apenas para garantir a alimentação básica de um adulto. Sobram menos de R$ 600 para cobrir moradia, transporte, saúde, água, luz e lazer.
Logo atrás de São Paulo, o custo de vida esmaga o orçamento em outras grandes metrópoles:
- Rio de Janeiro: R$ 890,70
- Florianópolis: R$ 872,50
- Porto Alegre: R$ 861,90
- Brasília: R$ 855,40
Em todas essas cidades, a alimentação consome confortavelmente mais da metade do salário mínimo líquido do trabalhador.
Onde a cesta é mais acessível?
Na outra ponta da tabela, Aracaju (SE) registrou a cesta básica mais barata do país, custando R$ 645,80. Ainda assim, o cenário está longe de ser ideal: mesmo na capital sergipana, os alimentos básicos consomem cerca de 43% da renda líquida de quem ganha o mínimo.
Outras capitais do Norte e Nordeste, como Maceió e Natal, também figuram entre as opções menos onerosas, embora todas tenham registrado altas nos últimos meses, puxadas por itens como o tomate e o feijão carioca.
A distância para o salário ideal
A pesquisa do DIEESE não apenas mede os preços, mas calcula qual deveria ser a remuneração mínima para cobrir todas as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas, conforme manda a Constituição. Em abril de 2026, o salário mínimo necessário no Brasil atingiu assustadores R$ 7.612,49 — um valor quase cinco vezes maior que o salário nominal vigente.
Essa disparidade brutal explica por que tantas famílias precisam cortar itens da lista de compras ou substituir proteínas por opções mais baratas. A escalada contínua dos preços dos alimentos reforça a necessidade urgente de políticas que protejam o poder de compra, garantindo que o básico não se torne um artigo de luxo na mesa do brasileiro.




